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Sexta-Feira, 06 de Setembro de 2019 às 20:38

Idoso que morreu em asilo estava amarrado na poltrona

João Batista Pereira de Carvalho, de 63 anos, tinha sofrido uma queda e foi preso com um lençol, procedimento chamado restrição ou contenção. Quando o estofado pegou fogo, ele não conseguiu levantar.

Duração: 04:44

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O idoso de 63 anos, que morreu após um incêndio ocorrido no dia 21 de agosto no Lar São Vicente de Paulo, em Rio Preto, estava amarrado à poltrona.

A “restrição" ou "contenção” é um procedimento usual nos asilos e casas de repouso. É utilizado quando o idoso com problemas psiquiátricos ou de locomoção caiu ou tem risco de queda e precisa evitar movimentação.

A reportagem apurou que João Batista Pereira de Carvalho estava preso à uma poltrona individual com um lençol, informação confirmada pela advogada da instituição, Tatiana Cristina Maciel.

Na noite do incêndio, João Batista estava assistindo tv no núcleo de convivência, um espaço de socialização onde há várias cadeiras e poltronas. Outros internos que acompanhavam a vítima tinham ido dormir.

Apenas duas auxiliares de enfermagem trabalhavam na assistência a 47 idosos.

Quando elas perceberam as chamas, correram em socorro à vítima, que já não apresentava sinais vitais.


Walkírio Almeida, enfermeiro coordenador do Departamento de Gestão do Exercício Profissional do Conselho Federal de Enfermagem explica que a contenção é uma prática regulamentada em instituições de longa permanência, mas exige alguns cuidados.

"O idoso restrito tem que estar no campo de visão da equipe de enfermagem, porque ela tem que estar atenta à qualquer intercorreência, ou mesmo para suprir as necessidades de uma pessoa que está impedida de andar", disse.

A advogada diz que o número de funcionários está de acordo com o estabelecido pelo Conselho Regional de Enfermagem.

Uma câmera filmou o incêndio. O equipamento que armazena as imagens foi entregue pela direção do asilo à Polícia Civil e encaminhado para perícia.

Luiz Carvalho, irmão de João Batista, diz que o idoso era fumante.

A família não foi autorizada a entrar no asilo no dia do acidente.

Procurado, o delegado Renato Pupo disse que vai aguardar as imagens para comentar o inquérito instaurado como homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

João Batista foi sepultado em Potirendaba. Ele deixou quatro filhos.

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